Pesquisa mapeia convergências do Cofen e CNS sobre assistência ao parto

Estudo busca subsidiar estratégias para integrar e potencializar as ações de comunicação do CNS e Cofen relacionadas ao parto

13.04.2022

Ativistas presentes na audiência pública seguram cartazes em apoio à PL da Humanização do Parto (Ascom/Cofen)

Pesquisa realizada na Escola de Governo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz – Brasília) mapeou convergências entre o Conselho Nacional de Saúde, instância máxima de controle social do SUS, e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), nas políticas de assistência ao parto no Brasil.

A pesquisa “Controle social e parto no Brasil: tecendo redes entre Cofen e o CNS para a garantia de direitos” envolveu jornalistas de ambas as entidades, que mapearam documentos e realizaram entrevistas com informantes-chaves das Comissões de Saúde da Mulher (CNSM/Cofen) e Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (Cismu/CNS). O levantamento busca subsidiar estratégias para integrar e potencializar as ações de comunicação do CNS e Cofen relacionadas ao parto.

A análise de documentos publicados e dos discursos das comissões técnicas revela alinhamento das entidades na defesa dos pressupostos do Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), à atuação da equipe multidisciplinar de assistência e ao respeito à autonomia da gestante.

Atuação multiprofissional e respeito à autonomia da mulher são pilares do PNHP (foto: Ministério da Saúde)

O modelo hospitalar de assistência com mulheres imobilizadas, separadas de parentes e sujeitas a diversas intervenções para acelerar o nascimento passou a ser progressivamente questionado por movimentos que reivindicavam a autonomia da mulher, o trato respeitoso do recém-nascido, e ressignificaram o conceito de humanização do parto. A pressão social, liderada por diversas vertentes do movimento feminista, teve um papel central nesta retomada do parto pelas mulheres, desde o movimento de usuárias pela Reforma no Parto, nos Estados Unidos na década de 1950, à incorporação dos conceitos de direitos reprodutivos e sexuais como direitos humanos, a partir de década de 1980.

Na América Latina, o marco desta nova visão de parto foi a publicação da Declaração de Fortaleza. Resultado da Conferência da Organização Panamericana da Saúde (OPAS/OMS), o documento sobre “tecnologias apropriadas para o nascimento” defende a autonomia da mulher e a humanização da assistência à parturiente e ao recém-nascido. O texto, publicado na revista The Lancet (OMS, 1985), foi recebido com criticismo pelas entidades médicas.

Somente no século XXI, fortalecido pela mudança de referências e pressão dos movimentos de mulheres, o novo paradigma foi incorporado às políticas públicas, estando em sintonia com o atual PHPN, instituído pelo Ministério da Saúde. A mobilização social é pilar de sustentação do PHPN, que se traduz em resiliência à instabilidade político-institucional.

Representantes das entidades médicas, da Enfermagem, do governo e da sociedade fazem símbolo do períneo íntegro, representando o consenso contra a episiotomia de rotina (Ascom/Cofen)

Desmonte da Rede Cegonha – “Em um momento que os pressupostos da Rede Cegonha, mais bem-sucedida política pública de assistência ao parto no Brasil, estão ameaçados, a comunicação tem um papel estratégico para efetivar o controle social das políticas de Saúde. Quando se exclui um segmento profissional, quando se silenciam as mulheres, o impacto é sentido nos indicadores de assistência”, afirma o coordenador da Comissão Nacional de Saúde da Mulher (CNSM/Cofen), Herdy Alves. Somente no Portal do Cofen, foram publicadas 273 notícias relacionadas ao “parto”.

O estudo, das pesquisadoras Maria Clara Fagundes e Laura Fernandes, sob orientação da professora Aline Cavaca, foi aprovado pelo programa de pós-graduação lato-senso em Comunicação e Saúde da Fiocruz, com recomendação da banca para publicação.

Confira nota dos Conselhos de Enfermagem contra o Desmonte da Rede Cegonha.

 

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