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Semana Mundial de Amamentação destaca ações mais eficazes

Consulta de Enfermagem e Rede de Bancos de Leite estão entre as iniciativas que levaram ao Renascimento da Amamentação no Brasil

04.08.2026

Cofen participa da campanha Agosto Dourado

Com o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”, a Semana Mundial da Amamentação (SMAM) 2026 destaca a necessidade de ampliar estratégias que já demonstraram resultados. As ações prosseguem durante todo o Agosto Dourado.

O Brasil é uma referência na retomada da amamentação, que chegou a níveis críticos nas décadas de 1970 e 1980. Sob pressão da indústria alimentícia, a amamentação exclusiva havia caído a 2,9% em 1986. A taxa de aleitamento exclusivo de bebês até seis meses é de 47%,  segundo o  Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, e 43,6% dos brasileirinhos continuam mamando no primeiro ano de vida. A mortalidade infantil caiu 5% entre 1986 e 2020.

O renascimento da amamentação é fruto de políticas públicas e passa pela atuação da Enfermagem em diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde, avalia a coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde do Neonato e da Criança (CTESNC/Cofen), Ivone Amazonas.

“No Brasil, ‘fortalecer o que funciona’ significa reconhecer o protagonismo da Enfermagem na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Do pré-natal, pré-parto e parto à puericultura, das visitas domiciliares aos Bancos de Leite Humano, a Enfermagem está presente, transformando evidências científicas em práticas que salvam vidas, reduzem desigualdades, promovem segurança alimentar e garantem um começo de vida mais saudável e sustentável”, afirma Ivone Amazonas.

“Esse compromisso com a amamentação está alinhado ao II Eixo da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança do Brasil “, ressalta Ivone, que destaca, também, a importância dos marcos normativos restringindo a promoção e propaganda de alimentos substitutivos do leite materno, mamadeira e chupetas, comprovadamente capazes de provocar desmame precoce. 

O que está dando certo no Brasil, de acordo com a CTENSN/Cofen

1. Consulta de Enfermagem como espaço permanente de promoção da amamentação

A consulta de Enfermagem tornou-se uma das principais estratégias de fortalecimento da amamentação. No pré-natal e puerpério, o enfermeiro realiza orientações antecipadas, identifica fatores de risco para o desmame precoce, acompanha a técnica de amamentação e oferece apoio contínuo às famílias, conforme preconiza a PNAISC 2018.

A consulta puericultura também deixou de ser apenas um acompanhamento do crescimento infantil. Hoje, enfermeiro utiliza cada consulta para:

  • avaliar a mamada
  • prevenir o desmame precoce
  • orientar alimentação complementar adequada
  • acompanhar o crescimento e desenvolvimento
  • apoiar a parentalidade positiva

A atuação deve se basear no acolhimento, com escuta qualificada; respeito à cultura familiar; e decisão compartilhada, com respeito à autonomia da mulher.

2. Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB)

A estratégia tem contribuído para qualificar o aconselhamento em aleitamento materno e alimentação complementar saudável em milhares de Unidades Básicas de Saúde do SUS. Nela, os enfermeiros atuam como:

  • tutores da estratégia;
  • facilitadores da educação permanente;
  • multiplicadores das boas práticas;
  • articuladores do processo de trabalho das equipes de Saúde da Família.

3. Fortalecimento da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC)

A Enfermagem brasileira desempenha papel decisivo na implementação dos Critérios da IHAC, assistencial, gerencial, tutora e avaliadora dessa iniciativa nas maternidades:

  • Cumprimento dos 10 passos para o sucesso do aleitamento materno
  • Cumprimento das boas práticas do parto e nascimento
  • Cumprimento da NBCAL: prevenção do uso desnecessário de fórmulas, bicos e mamadeiras
  • Incentiva o acesso, permanência e participação do pai e ou da mãe nos cuidados com o bebê em UTIN, UCINco, UCINca

4. Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano

O Brasil possui a maior e mais reconhecida Rede de Bancos de Leite Humano do mundo. A atuação é normatizada pela Resolução Cofen 741/2024. Os profissionais de Enfermagem atuam:

  • na assistência clínica às nutrizes;
  • na coleta e processamento do leite humano
  • no apoio às mulheres com dificuldades para amamentar
  • na promoção da doação de leite humano
  • na coleta e processamento do leite humano
  • no apoio às mulheres com dificuldades para amamentar
  • na promoção da doação de leite humano

5. Atuação multiprofissional coordenada pela Enfermagem

Nas Unidades Básicas de Saúde, frequentemente o enfermeiro organiza:

  • grupos de gestantes
  • rodas de conversa
  • visitas domiciliares
  • ações comunitárias
  • campanhas do Dia Mundial de Doação de Leite Humano (19 de maio) e do Agosto Dourado (mês de agosto).

6. Vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil

O enfermeiro integra o incentivo ao aleitamento materno com:

  • avaliação antropométrica
  • vacinação
  • desenvolvimento neuropsicomotor
  • alimentação complementar
  • prevenção da anemia
  • suplementação nutricional quando indicada

7. Salas de amamentação

As Salas de Apoio às Mulheres Trabalhadoras que Amamentam (SAMTA) promovem a continuidade do aleitamento materno após o retorno da licença maternidade. O leite é armazenado em frascos esterilizados e guardado no freezer. No fim do expediente, a trabalhadora pode levar seu leite para casa em bolsas térmicas, para que seja oferecido ao bebê na sua ausência.

O que precisa melhorar, de acordo com a CTENSN/Cofen

1. Adesão na grade curricular da amamentação de todas as categorias profissionais

A formação atual é insuficiente em termos de conhecimento teórico e habilidades práticas em amamentação. Muitos recém formados entendem a importância do aleitamento materno, mas não se sentem preparados para enfrentar os desafios da amamentação e dar apoio em casos de dificuldades nesse processo.

2. Duração da Licença Maternidade

Apoiar a amamentação exige condições concretas. A Constituição de 1988 ampliou a licença maternidade para 4 meses (120 dias), mas ainda é menos que os seis meses de amamentação exclusiva preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. A participação no Programa Empresa Cidadã, que amplia a licença para 6 meses (180 dias) é voluntária. Atualmente são 8.858 empresas, segundo dados da Receita Federal.

As lactantes enfrentam, ainda, altas taxas de demissão no retorno ao trabalho, apesar da estabilidade assegurada nos cinco meses após o parto. Foram 380 mil desligamentos após a licença maternidade entre 2020, quando a informação passou a ser incluída no eSocial, em 2025. Outras 265.515 pediram demissão ao voltar da licença.

Agosto Dourado: Campanha do Cofen destaca a importância da rede de apoio à amamentação

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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